O Livro da Selva

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Rudyard Kipling (1865-1936) foi um escritor britânico nascido na Índia, quando esse pais era uma das colônias do Império Britânico. Nos dias de hoje, é comum encontrarmos textos que reduzem Kipling a um mero “defensor do colonialismo”. Sim, ele defendeu o colonialismo britânico, mas isso não pode ser usado como desculpa em nossos tempos “politicamente corretos” para depreciar o talento desse importante escritor.

A obra mais conhecida de Kipling é O Livro da Selva (The Jungle Book), publicada pela primeira vez em 1894, que conta a história de Mogli,um menino indiano criado por lobos. Essa obra também é conhecida pelo título O Livro da Jângal, numa tradução feita por Monteiro Lobato e publicada em 1933. Nesse livro vemos Mogli dividido entre dois mundos, o mundo dos lobos e o mundo dos homens,pertencendo aos dois e ao mesmo tempo não se integrando totalmente a nenhum dos dois. Talvez, uma metáfora para a própria vida de Kipling, que nasceu na Índia, país que amava e do qual guardava as melhores lembranças da infância, mas que era cidadão da Grã-Bretanha, potência pela qual nutria sentimentos patrióticos, apesar dos anos tristes que passou na Inglaterra, para onde se mudou aos seis anos de idade para estudar numa escola para filhos da elite.

A história de Mogli foi provavelmente uma das fontes de inspiração para que o escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs criasse a primeira aventura de Tarzan. No entanto, sem desmerecer os méritos criativos de Burroughs, em termos literários, Kipling é um escritor muito superior. A história de Mogli lida com temas como amadurecimento, responsabilidade, lealdade entre outros. O recurso de utilizar animais que falam à primeira vista parece infantilizar a narrativa, mas uma leitura mais cuidadosa logo revela que se trata de uma licença poética utilizada pelo autor para trabalhar a caracterização psicológica das personagens (que embora sejam animais, representam metaforicamente tipos humanos). Outro herói ficcional que mescla elementos tanto de Tarzan quanto de Mogli é Akim, protagonista de uma série de quadrinhos criada em 1950 pelos italianos Roberto Renzi e Augusto Pedrazza.

O Livro da Selva ganhou várias adaptações para outras mídias. A mais conhecida dessas é o desenho-animado produzido em 1967 pelos estúdios Disney: Mogli o menino- lobo. A Edições Del Prado também publicou uma adaptação do Livro da Selva em sua coleção Grandes Clássicos da Literatura em Quadrinhos, produzida por roteiristas e desenhistas  franceses.

O desenho que aparece no início deste post é uma ilustração baseada na obra de Kipling, na qual inseri algumas das personagens do livro, além do próprio Mogli: a mãe adotiva do protagonista; o urso Balu; a pantera Baghera e o tigre Shere Khan. Os principais programas utilizados na elaboração desta ilustração foram o Medibang e o Gimp.

 

 

 

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Viagem ao centro da Terra

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Diferentemente de outras obras de Julio Verne, Viagem ao Centro da Terra (Voyage au centre de la Terre) não se caracteriza pela plausibilidade, sendo a mais fantasiosa das obras do escritor francês. Enquanto A volta ao mundo em oitenta dias, Vinte mil léguas submarinas e Da Terra à Lua se caracterizam por terem mostrado avanços tecnológicos que se tornaram possíveis décadas depois ou de, pelo menos, estarem de acordo com o que era aceito como plausível pela comunidade científica do tempo em que essas obras foram publicadas (por exemplo, os cientistas da época acreditavam mesmo que um canhão seria a forma mais adequada para propulsionar um foguete para viajar para fora da Terra), viajar até o centro do planeta ainda é uma façanha impossível de se realizada. Outro detalhe é que o romance de Verne está mais de acordo com a teoria da “Terra Oca”, já descartada pela ciência, do que com aquilo que até o momento sabemos, ou seja, que o planeta possui um núcleo cujo calor é insuportável.

Apesar dos seus aspectos inverossímeis, Viagem ao centro da Terra, publicado originalmente em 1864, cumpriu o seu papel de divulgação científica. Popularizou as descobertas paleontológicas de criaturas como os grandes répteis da Era Mesozoica e os mamutes da Era Glacial. No livro, Verne se refere aos espécimes remanescentes de outras eras geológicas como “criaturas antediluvianas”, ou seja, anteriores ao Grande Dilúvio Universal, tal como descrito em Gênesis.Certamente, o romance de Verne e adaptações posteriores para o cinema e os quadrinhos alimentaram as fantasias de muitos jovens leitores, alguns dos quais, talvez, tenham seguido uma carreira científica em Geologia, Vulcanologia,Biologia ou Paleontologia. Tanto Verne quanto seu editor, Pierre Jules-Hetzel (1814-1886), defendiam a popularização do conhecimento científico, bem como a criação de escolas públicas  que oferecessem um ensino  laico, científico e gratuito.

O desenho que estou postando hoje é uma releitura de uma das cenas mais emblemáticas do livro, a luta entre dois grandes répteis marinhos pré-históricos, um plesiossauro e um ictiossauro. A referência principal foi uma das ilustrações do francês Édouard Riou (1833-1900) para a primeira edição de Viagem ao Centro da Terra. Utilizei os softwares ArtRage (para os esboços), MediBang (para finalizar o desenho) e Gimp (na colorização).