O livro que havia ganho do meu pai

Hoje (quando escrevo este texto ainda é dia 24 de janeiro), meu pai estaria completando setenta e nove anos de idade. Este é o segundo aniversário dele que não posso contar com a presença física dele neste universo. Esta postagem é para homenageá-lo, compartilhando uma importante lembrança. As fotos que aparecem aqui são do livro Mastery of Drawing de John Moranz, lançado em 1950. Trata-se de um excelente manual de desenho. Para mim, este livro é de valor inestimável, tanto pela qualidade quanto pelo valor afetivo. Meu pai ganhou este livro do meu avô, que era militar, mas,que entre seus hobbies estavam escrever e desenhar. Antes de conhecer minha mãe, meu pai chegou, por um breve tempo, a trabalhar como ilustrador em uma agência de publicidade. Como também sempre me interessei por desenho, ganhei do meu pai o mesmo livro que ele havia ganho do meu avô. Já perdi a conta de quantas vezes copiei vários dos desenhos a lápis deste livro.

No entanto, numa das vezes em que fiz a besteira de emprestar este livro, ele acabou se extraviando. Tentei de tudo para recuperar o livro, sem sucesso. Procurei em sebos na internet. Em geral, o resultado era quase sempre o mesmo: o livro estava fora de catálogo ou esgotado. Cheguei a encontrá-lo em uns dois sites estrangeiros de venda de livros usados, mas por um preço proibitivo. Finalmente, há poucas semanas atrás,após muita procura, consegui encontrá-lo no site “Estante Virtual”.

O preço estava comparativamente baixo com o que havia encontrado em outros sites. Não tive dúvidas, decidi comprá-lo. Poucos dias depois, o correio me entregou o envelope com o livro. Abri o envelope e encontrei um exemplar do livro em perfeito estado de conservação, apeanas com algumas páginas amareladas pelo tempo. Também havia o nome e a data em que o antigo dono havia comprado o livro (1957) escritos com nanquim e com um letreiramento profissional. Dentro do livro havia um pequeno papel, com algumas anotações a lápis sobre câmeras e equipamentos de fotografia e cinema. Creio que o antigo dono era alguém que trabalhava com imagens, tanto ilustrações quanto fotografia. Coincidentemene, as anotações a lápis traziam uma caligrafia QUASE idêntica a do meu pai, que era muito bonita e que nunca havia encontrado semelhante. Meu pai deve estar feliz no universo em que ele habita hoje! Reencontrei o livro (ainda que não seja o mesmo exemplar), pois agora poderei, um dia, passá-lo para o meu filho. Feliz aniversário, Velho!