Batfino versus Vira Lata

Batfink_versus_Underdog

Nas décadas de 1970 e de 1980, era comum que séries de desenhos-animados produzidos na década de 1960 ainda fossem constantemente reprisados na televisão brasileira. Minhas mais antigas lembranças da infância incluem desenhos-animados que imitavam o estilo minimalista adotado pelo estúdio da UPA (produtora dos desenhos-animados do Mister Magoo e que trazia uma forte influência, entre outras, dos cartuns de Saul Steinberg).Entre esses desenhos-animados estavam George of the JungleMilton, o Monstro, O Vira Lata (Underdog), Roger RamjetBatfino entre muitos outros. A partir dos anos 1990, surgiu uma nova leva de animações fortemente influenciada por esse estilo retrô: As Meninas SuperpoderosasDois cães estúpidos, Os Padrinhos Mágicos e vários outros.

O desenho que estou postando aqui em duas versões  é tanto uma paródia da capa da edição encadernada da minissérie O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight Returns), escrita e desenhada por Frank Miller em parceria com o arte-finalista Klaus Janson e a colorista Lynn Varley quanto uma homenagem a duas dessas séries de desenhos-animados que assistia quando criança: Batfino, um morcego antropomórfico dotado de uma capa de aço, e O Vira Lata, um cãozinho antropomórfico com superpoderes, respectivas paródias de Batman e Super-Homem.

batfink_the_fink_knight_returns_cover

 

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“A voz do povo é a voz de Zod”

Mesmo com toda a evolução dos efeitos especiais que ocorreu desde 1980 para cá, mesmo com o fato de superproduções cinematográficas envolvendo adaptações de super-heróis dos quadrinhos terem se tornado corriqueiras nos últimos anos, o General Zod interpretado pelo ator Terence Stamp em Superman II ainda é um dos meus supervilões favoritos, tanto por causa da interpretação de Stamp quanto por causa do roteiro escrito por Mario Puzo, o mesmo escritor de O Poderoso Chefão. Para quem cresceu durante os anos 1980, Zod também é lembrado pelo excelente trabalho de dublagem do radioator e dublador Armando Cazella, já falecido, que participou da primeira dublagem do filme (uma outra dublagem foi feita anos depois). Ainda consigo escutar na mente, a voz de Cazella dizendo frases como “Ajoelhe-se perante Zod!” ou “Venha, filho de Jor-El! Onde está você, filho de Jor-El?”.

Sempre que vejo filmes em que Washington aparece sendo atacada ou destruída por uma invasão extraterrestre fico imaginando como seria uma cena dessas em Brasília, de preferência em um dia em que nossos parlamentares estivessem votando o próprio aumento salarial deles ou em que vários ministérios estivessem sendo negociados (pois aí não haveria ausências). Não me entendam mal, não sou a favor de golpes de Estado, nem os feitos com tanques e nem os feitos com nomeações para ministro de quem deseja fugir de investigações da Polícia Federal. Mas sempre fiquei irritado com o fato de muitos de nossos políticos  se julgarem deuses, que além de receberem altos salários (sem falar em gratificações) pagos por nós, contribuintes , ainda exigem ser venerados. Já passou da hora de eles se lembrarem de que são meros mortais.

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Alguns dos esboços preliminares que foram feitos para a ilustração acima: