A Máquina do Tempo

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Outro romance de ficção científica  escrito por H.G. Wells é A Maquina do Tempo (The Time Machine), publicado pela primeira vez em  1895. Não foi a primeira obra de ficção a mostrar uma viagem no tempo, mas foi a primeira a mostrar o uso de alguma tecnologia para realizar  essa façanha. Obras anteriores mostravam a viagem no tempo por outros meios: magia; sonho; projeção astral etc.

Nessa obra, um viajante do tempo (cujo nome não é revelado) viaja para um futuro distante e descobre que duas novas espécies evoluíram a partir da espécie humana: os elóis e os morlocks. Os elóis são seres belos de baixa estatura (cerca de 1,20m), mas desprovidos de cultura, capazes de falar poucas palavras e vivendo em um estado de ócio permanente (apenas dormem, se alimentam e copulam). Os morlocks são seres grotescos que vivem nos subterrâneos, com olhos sensíveis à luz, operam máquinas e criam os elói como gado, ou seja, se alimentam da carne deles.

Assim como outras obras de Wells, esta também é influenciada pelas teorias de Darwin e pelas discussões sobre luta de classes na Grã-Bretanha do século XIX. Os elóis seriam descendentes de uma elite que se tornou ociosa. Os morlocks seriam descendentes de operários que trabalhavam nos subterrâneos e que se adaptaram à vida na escuridão. Um ponto em comum entre ambos é a alienação derivada da perda do conhecimento científico: os elói sabem fazer nada; os morlocks sabem operar máquinas, mas são incapazes de projetá-las.

O livro foi adaptado para o cinema numa produção britânica de 1960, dirigida por George Pal, e estrelada por Rod Taylor (no papel de viajante do tempo) e pela então belíssima jovem Yvette Mimieux (no papel de Weena, uma jovem elói). No filme, os elói são todos loiros, mas possuem a mesma estatura dos humanos modernos. Outra diferença entre o filme e o livro: enquanto no romance de Wells o viajante procura não interferir na realidade que encontra no futuro, no filme, ele tenta reconstruir a civilização e volta ao passado para buscar três livros que o ajudem nessa missão. Fica a pergunta: quais livros eram esses?Quais você levaria?

O desenho que estou postando hoje é uma ilustração que fiz baseada no romance de Wells. Mais uma vez, desenhei usando a mesa digitalizadora e os softwares Medibang  Paint Pro (principalmente a ferramenta pincel),ArtRage Lite (principalmente  a ferramenta lápis), o Gimp (ferramentas de colorização) e até o Paint em alguns pixels. Para o cenário de fundo, reaproveitei  parte de uma ilustração (que suponho estar em domínio público) de Frank R. Paul (1884-1963), artista conhecido por ter feito centenas de ilustrações para contos de ficção científica em revistas pulp. Redesenhei totalmente o rosto da esfinge para deixá-la mais assustadora.

 

 

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A Guerra dos Mundos

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A ficção científica moderna surge no século XIX com as obras de dois escritores, o francês Julio Verne (1828-1905) e o inglês H.G. Wells (1866-1946). Ambos fortemente influenciados pelas inovações trazidas pela Segunda Revolução Industrial e pelo contexto cultural do Neocolonialismo. Entretanto, enquanto Verne procurava ,na maior parte das vezes, produzir obras as mais verossímeis possíveis (de acordo com os conhecimentos científicos disponíveis até então), Wells era mais especulativo. Outra diferença é que enquanto a maioria das obras de Verne mostra a ciência de maneira positiva e otimista, as obras de Wells são mais pessimistas, focando em consequências negativas que poderiam surgir do mau uso do conhecimento. Em suma, enquanto Verne se preocupava mais com a ciência em si (ou do que era considerado ciência em sua época), Wells se preocupava mais com o impacto social do avanço científico e o uso político desse conhecimento.

Uma das obras mais conhecidas de Wells é a Guerra dos Mundos (The War of the Worlds), romance de ficção científica publicado originalmente em 1898. Conta a história de uma invasão marciana à Terra, iniciada quando naves extraterrestres aterrissam na Inglaterra. Todos os esforços bélicos  da Grã-Bretanha, então a potência mais poderosa do planeta, se mostram inúteis contra a superioridade tecnológica dos marcianos. No entanto a invasão marciana fracassa por um microscópico detalhe: os marcianos não possuem defesas contra as bactérias terrestres e acabam morrendo. O final virou clichê,mas foi inovador na época, ainda mais se imaginarmos que o próprio fato da existência das bactérias é um conhecimento científico relativamente recente (mais recente ainda na época em que o romance foi publicado).

O livro foi fortemente influenciado pela teoria da Seleção Natural,elaborada  pelo cientista inglês Charles Darwin para explicar o processo de evolução das espécies. Os marcianos diferem fisicamente de nós porque evoluíram em um ambiente totalmente diferente do nosso, e sendo mais inteligentes que nós, perderíamos a hegemonia sobre o planeta Terra, não fossem as bactérias. Ao mostrar a invasão apenas na Inglaterra, Wells queria mostrar os marcianos exterminandoos britânicos de modo semelhante ao que o Império Britânico havia feito com os aborígines da Tasmânia.

A ilustração que inseri neste post de hoje é minha releitura de uma das cenas mais emblemáticas do livro: o momento em que um dos marcianos surge da nave diante de um assustado observador. Me baseei na ilustração feita por Alvim Corrêa (1890-1910), pintor e ilustrador brasileiro radicado na Europa. Corrêa foi o responsável pelas ilustrações para uma edição franco-belga de A Guerra dos Mundos. Essa e outras ilustrações foram reproduzidas mundo afora e a primeira vez em que a vi foi ainda criança quando folheava um livro da coleção da Biblioteca Científica Life, publicada no Brasil pela Editora José Olympio. Não tenho certeza qual dos volumes dessa coleção exatamente, mas foi em um desses: Os planetas, de autoria do astrônomo Carl Sagan, ou O Homem e o espaço, escrito por Arthur C. Clarke, o mesmo de 2001: Uma Odisseia no Espaço. Só tempos depois é que soube que essa ilustração havia sido feita por um brasileiro.

Na minha releitura, reaproveitei a espaçonave desenhada por Corrêa e redesenhei os demais elementos. Desenhei na mesa digitalizadora e utilizei os segintes softwares: ArtRage Lite (para os esboços); MediBang Paint Pro (para finalizar o desenho); Gimp (para a colorização) e o Paint (para pequenos retoques).

Antigo esboço de rosto feminino

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Este é outro desenho que fiz quando ainda estava na faculdade, ou seja, meados ou fins dos anos 1990. Surgiu bem por acaso, eu estava fazendo uns estudos de rosto com personagens de mangás(gibis japoneses) e aí comecei a misturar o estilo oriental com o estilo ocidental e o resultado foi este. Pelo que me lembro, na época havia um site chamado U Are Drawing , que dava dicas de como desenhar mangás. Este desenho eu já havia postado na Internet em 2004, quando eu compartilhava desenhos pelo Fotolog.

Naquela época eu só acessava internet na faculdade, não havia banda larga e nem scans de livros inteiros. Conseguir salvar alguma imagem num disquete (cujo espaço de memória era suficiente para textos, mas pouco para imagens) ou mesmo imprimir algumas partes de um site para levar para casa eram verdadeiras proezas!

Visões de Marte

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Nunca fui um ilustrador do estilo “realista” ou “naturalista” e nem tenho pretensões de sê-lo. No que se refere ao desenho, minha veia sempre foi cômica. Decidi fazer outro desenho do John Carter, mas numa abordagem um pouco diferente do que postei na semana passada.

Desta vez, resolvi parodiar um pouco aquelas capas de livros que o artista Frank Frazetta (1928-2010)produziu para obras de escritores pulp como Edgar Rice Burroughs (criador de Tarzan e de John Carter)e Robert E. Howard (criador de Conan, o Bárbaro).

Desenhar diretamente na mesa digitalizadora uma cena com três ou mais personagens leva um tempo consideravelmente maior, mesmo quando se utiliza um estilo mais informal de desenho.

Aproveito para postar também um esboço que havia feito  de um daqueles marcianos de quatro braços que povoavam as histórias escritas por Burroughs.

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Princesa de Marte

O escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs (1875-1950) é mais conhecido pela criação de Tarzan. Outra criação sua é John Carter , um veterano da Guerra Civil que se vê teletransportado para Marte, onde encontra diversas civilizações, enfrenta diversos perigos e ainda se casa com uma linda princesa marciana (segundo a literatura pulp, há diversas espécies alienígenas praticamente idênticas aos humanos, com lindas fêmeas, que ao que consta, possuem genitália idêntica a das  mulheres terrestres, o que torna possível o acasalamento entre terráqueos e marcianas!!!). Apesar de menos conhecido que Tarzan, John Carter possui fãs fiéis e inspirou alguns de seus leitores a se tornarem escritores de ficção científica e de fantasia. Outros até se sentiram inspirados a seguirem uma carreira científica, como foi o caso do astrônomo e astrofísico Carl Sagan (1934-1996), que teve seu interesse pelos mistérios do universo despertado quando, ainda criança, leu a primeira aventura de John Carter, intitulada A Princess of Mars (“Uma princesa de Marte”). Essa primeira aventura  foi inicialmente publicada em capítulos a partir de 1912 numa revista pulp antes de ser publicada na forma de romance e ganhar diversas reedições e algumas adaptações para quadrinhos e filmes.

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Ao desenhar minha versão de John Carter e da princesa marciana Dejah Thoris, busquei inspiração nos quadrinhos do japonês Osamu Tezuka (1928-1989), daí esse visual meio de “mangá retrô”. Foi tudo desenhado direto na mesa digitalizadora e usei  ferramentas de três softwares diferentes (ArtRage Lite; Gimp e MediBang Paint Pro), exportando e importando arquivos de um software para outro.

 

 

Gata gueixa

Hoje estou postando o primeiro desenho que fiz utilizando o MediBang Paint Pro, um software que me foi apresentado pelo meu amigo Fred Tavares. Minha referência para desenhar essa gata gueixa foi Usagi Yogimbo, uma excelente série de HQs criada por Stan Sakai, norte-americano de ascendência japonesa.

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Usaji Yojimbo é uma série ambientada no Japão “feudal”, com seus samurais, camponeses, donos de terras e guerras civis, mas cujos protagonistas possuem a forma de animais antropomórficos.  Trata-se de uma mescla bastante funcional, pois, sem abandonar o contexto histórico em que as histórias são ambientadas, o uso de um traço humorístico e de animais antropomórficos ajuda a “suavizar” a violência inerente ao tema samurais. Essa abordagem permite que essa série de  HQ seja boa leitura tanto para adultos quanto para crianças. O protagonista da série é um coelho ronin (samurai errante). Felizmente, alguns volumes dessa série chegaram a sair publicados no Brasil pela  Via Lettera Editora e Livraria. O desenho traz alguma influência das HQs do atrapalhado bárbaro Groo, desenhadas pelo Sergio Aragonés. E não é à toa: antes de criar Usaji Yojimbo, Sakai era o responsavel por desenhar as letras e balões das aventuras de Groo.

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