Vendendo cartuns 2

Desenhar cartuns é muito gratificante! Em primeiro lugar, porque você pode contar uma história inteira por meio de uma única imagem que pode ou não vir acompanhada de texto (na maioria das vezes, uma legenda representando a fala de uma personagem). Em segundo lugar pela liberdade de poder tratar de diversos temas. Ou seja, em um momento você pode estar desenhando extraterrestres, no outro hipopótamos, em outro ainda pode estar desenhando animais de estimação e assim por diante. Diferentemente de uma HQ, em que você tem que contar a história por meio de várias páginas (cada uma com uma média de quatro a oito quadrinhos) o que em geral exige se dedicar um longo tempo ao mesmo tema e às mesmas personagens. De certa forma, isso ajuda a explicar porque, por exemplo, o brilhante desenhista argentino Quino abandonou as tiras de Mafalda para se dedicar à produção de excelentes cartuns que já foram reunidos em diversas coletâneas.

Por outro lado, vender cartuns já não é tão simples. No Brasil, já houve época em que jornais e revistas abriam espaço para esse tipo de trabalho, mas há muito tempo que já não é assim. Nos Estados Unidos, ainda é possível encontrar revistas que publicam cartuns e que ainda pagam relativamente bem por um único cartum (sem falar em royalties no caso de republicação em antologias). A New Yorker, uma das publicações mais intelectualizadas dos Estados Unidos, é conhecida pelos seus cartuns surreais. Sabe-se que a maioria dos leitores da New Yorker leem os cartuns antes de lerem o restante da revista. Entre os cartunistas que tiveram muitos trabalhos publicados pela New Yorker podemos destacar Charles “Chas” Addams (1912-1988), o criador da Família Adams, e James Thurber (1894-1961), que também era escritor de contos que ele mesmo ilustrava.

No entanto, quase todos os cartuns que são submetidos à avaliação dos editor da New Yorker são rejeitados. Mesmo os colaboradores mais famosos da revista já tiveram cartuns rejeitados. Um cartum para ser publicado na New Yorker precisa ter uma certa dose de sofisticação, a piada deve ser sutil e a legenda não deve “explicar a piada”, ou seja, deve respeitar a inteligência do leitor típico da New Yorker.

Outra publicação norte-americana que sempre trouxe cartuns (embora neste caso eles não fossem a atração principal) é a Playboy. Vender cartum para a Playboy também não é fácil e muitos dos cartunistas que tiveram cartuns rejeitados por essa publicação depois tentavam vender os mesmos cartuns para outras revistas masculinas (todas mais apelativas que a Playboy, por trazerem fotos mais “ginecológicas” por assim dizer) como a Penthouse e a Hustler. Com a internet, as revistas masculinas (assim como todo o ramo de publicações impressas) tiveram suas tiragens reduzidas por causa da queda drástica nas vendas. Entre os cartunistas que tiveram trabalhos publicados na Playboy podemos destacar Gahan Wilson (que segue uma linha de humor muito parecida com a do Charles Addams), Jack Cole (1914-1958), mais famoso por ter sido o criador do super-herói Homem-Borracha, e Robert Brown (1936-2007). A edição brasileira da Playboy também publicou cartuns de Ziraldo (dentre os quais, podemos destacara excelente série Mineirinho, o comequieto).

Eu não estou produzindo cartuns nem para a New Yorker e nem para a Playboy, mas, com certeza, gostaria muito que uma oportunidade dessas surgisse. Como mencionado numa postagem anterior,alguns dos meus cartuns já estão disponíveis no Cartoon Stock, e  estão à venda para diferentes usos. O preço de venda varia conforme o uso:os maiores preços são os cobrados para uso em publicações impressas (jornais e revistas) e sites, já os preços menores são os cobrados para uso em apresentações em Power Point, fins educativos, redes sociais etc. Por enquanto, vou desenhado e esperando que, mais dia, menos dia, algumas libras esterlinas sejam depositadas na minha conta corrente.

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