A Guerra dos Mundos

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A ficção científica moderna surge no século XIX com as obras de dois escritores, o francês Julio Verne (1828-1905) e o inglês H.G. Wells (1866-1946). Ambos fortemente influenciados pelas inovações trazidas pela Segunda Revolução Industrial e pelo contexto cultural do Neocolonialismo. Entretanto, enquanto Verne procurava ,na maior parte das vezes, produzir obras as mais verossímeis possíveis (de acordo com os conhecimentos científicos disponíveis até então), Wells era mais especulativo. Outra diferença é que enquanto a maioria das obras de Verne mostra a ciência de maneira positiva e otimista, as obras de Wells são mais pessimistas, focando em consequências negativas que poderiam surgir do mau uso do conhecimento. Em suma, enquanto Verne se preocupava mais com a ciência em si (ou do que era considerado ciência em sua época), Wells se preocupava mais com o impacto social do avanço científico e o uso político desse conhecimento.

Uma das obras mais conhecidas de Wells é a Guerra dos Mundos (The War of the Worlds), romance de ficção científica publicado originalmente em 1898. Conta a história de uma invasão marciana à Terra, iniciada quando naves extraterrestres aterrissam na Inglaterra. Todos os esforços bélicos  da Grã-Bretanha, então a potência mais poderosa do planeta, se mostram inúteis contra a superioridade tecnológica dos marcianos. No entanto a invasão marciana fracassa por um microscópico detalhe: os marcianos não possuem defesas contra as bactérias terrestres e acabam morrendo. O final virou clichê,mas foi inovador na época, ainda mais se imaginarmos que o próprio fato da existência das bactérias é um conhecimento científico relativamente recente (mais recente ainda na época em que o romance foi publicado).

O livro foi fortemente influenciado pela teoria da Seleção Natural,elaborada  pelo cientista inglês Charles Darwin para explicar o processo de evolução das espécies. Os marcianos diferem fisicamente de nós porque evoluíram em um ambiente totalmente diferente do nosso, e sendo mais inteligentes que nós, perderíamos a hegemonia sobre o planeta Terra, não fossem as bactérias. Ao mostrar a invasão apenas na Inglaterra, Wells queria mostrar os marcianos exterminandoos britânicos de modo semelhante ao que o Império Britânico havia feito com os aborígines da Tasmânia.

A ilustração que inseri neste post de hoje é minha releitura de uma das cenas mais emblemáticas do livro: o momento em que um dos marcianos surge da nave diante de um assustado observador. Me baseei na ilustração feita por Alvim Corrêa (1890-1910), pintor e ilustrador brasileiro radicado na Europa. Corrêa foi o responsável pelas ilustrações para uma edição franco-belga de A Guerra dos Mundos. Essa e outras ilustrações foram reproduzidas mundo afora e a primeira vez em que a vi foi ainda criança quando folheava um livro da coleção da Biblioteca Científica Life, publicada no Brasil pela Editora José Olympio. Não tenho certeza qual dos volumes dessa coleção exatamente, mas foi em um desses: Os planetas, de autoria do astrônomo Carl Sagan, ou O Homem e o espaço, escrito por Arthur C. Clarke, o mesmo de 2001: Uma Odisseia no Espaço. Só tempos depois é que soube que essa ilustração havia sido feita por um brasileiro.

Na minha releitura, reaproveitei a espaçonave desenhada por Corrêa e redesenhei os demais elementos. Desenhei na mesa digitalizadora e utilizei os segintes softwares: ArtRage Lite (para os esboços); MediBang Paint Pro (para finalizar o desenho); Gimp (para a colorização) e o Paint (para pequenos retoques).

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