Salões de Humor

Quando estava no colegial e ainda na faculdade, cheguei a mandar trabalhos para salões de humor. Devo ter tido trabalhos expostos em uns três ou quatro salões de humor. Nunca ganhei prêmio algum, pois aí seria esperar demais! Fazia uns cartuns ou charges bem em cima da hora, “nas coxas” mesmo! Desenhava tudo perto do último dia aceito pelo regulamento de cada salão para enviar pelo correio. Fazia aqueles trabalhos em papel cartão A3 que eram colocados em envelopes enormes.

Mas, ficava satisfeito quando recebia uma carta padrão informando que meu trabalho havia sido aceito pelo júri e que iria ser exposto entre tantos outros também classificados. Tenho até uns certificados ainda guardados. O mais antigo é da 2ª Exposição Nacional de  HQ de Santo André (que foi de 06 a 29 de setembro de 1991 no Paço Municipal). O mais recente, pro assim dizer, foi do 4º Salão Universitário de Humor de Piracicaba, realizado de 16 maio a 03 de junho de 1995 na Universidade Metodista de Piracicaba. Não tenho mais o original de nenhum desses trabalhos, O trabalho que foi exposto em Santo André era uma história em quadrinhos bem ruim de quatro páginas com uma arte porca, feita com caneta para retroprojetor. Os expostos em Piracicaba eram uns cartuns tentando imitar o humor da série Far Side, criada pelo cartunista americano Gary Larson. O único que ainda tenho é uma cópia xerocada, que aparece reproduzido aqui, de um cartum que foi selecionado para o 1º Salão Nacional de Humor de Jundiaí, realizado em outubro de 1991.

salao_de_humor_jundiai

Pessoalmente, não gosto do tipo de humor deste cartum. Pretensioso e com uma visão preconceituosa de intelectualóide da “esquerda caviar”.  Como se todo religioso fosse inculto ou ignorante! Como se todo evolucionista fosse uma pessoa mais “esclarecida” ou “tolerante”! Ou ignorando que, há pessoas, dentre as quais, kardecistas, budistas e rosacruzes, que conciliam numa boa o processo de evolução das espécies com uma vida espiritualizada.

Hoje, creio eu, foi justamente por causa disso que este trabalho foi selecionado. Raramente, você vê um cartum ou charge realmente engraçada entre os primeiros colocados de qualquer salão de humor realizado no Brasil. E é sempre humor de esquerda, carregado de patrulhamento ideológico, e mensagens cheias de “senso crítico”.

A maioria dos salões de humor é  realizada por prefeituras petistas. Dificilmente vão premiar uma charge que realmente ridicularize o Lula, mais fácil premiarem uma que o homenageie. Esse pessoal adora tirar sarro da falta de conhecimentos gerais da Carla Pérez, por exemplo, em Geografia ou Língua Portuguesa, mas vão te tachar de preconceituoso se você denunciar a ignorância ( e o orgulho da própria ignorância) do  “Führer de Garanhuns”.Tirar sarro de evangélico ou dos cristãos em geral? Ok! Mas, queria ver se eu tivesse tirado sarro dos umbandistas, por exemplo.

Sobre isso, um chargista veterano para quem escrevi , me respondeu numa mensagem enviada em janeiro de 2008:  “De fato são todos[os salões de humor] chapa-branca. A maioria deles com verbas deste governo de merda. O mercado de trabalho está difícil e criticando o  néscio-mor fica ainda pior. Minhas charges são publicadas em vários blogs independentes e de oposição ao  governo, e em alguns jornais idem. Como não vivo só das charges, (sou  arquiteto e professor universitário), exijo dos jornais total liberdade no espaço a mim reservado para a charge editorial. Espaço pelo qual me responsabilizo quanto ao teor dos desenhos, não cabendo aos jornais que as publicam qualquer tipo de processo e sim somente a mim. Colaborei com o Pasquim quando era de briga. Hoje até o Ziraldo virou chapa-branca.”

E bota “chapa-branca” nisso!Um colega de faculdade, bem esquerdista,  mandou uma charge  anti-Bush pro  finado Pasquim 21, uma tentativa anacrônica de repetir o sucesso do Pasquim original. A charge anti-Bush foi aprovada para publicação de imediato. Mas, quando esse mesmo colega mandou uma charge criticando os escândalos de corrupção envolvendo o PT, a charge foi recusada.  Ou seja, era um jornal de humor situacionista (?), que estava lá só para criticar a oposição e o “imperialismo estadunidense”.

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